sábado, 7 de novembro de 2009

500 Dias Com Ela



Comédia romântica é um gênero complicado, pois são poucos exemplares que saem da mesmice, alguns conseguem, de forma inventiva, acabar em um ótimo filme, como Simplesmente Amor,  Quatro Casamentos e um Funeral ou Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças; mas a grande maioria não tem a mesma sorte. E 500 Dias Com Ela merece toda a atenção possível, já que o longa consegue brincar com o gênero de uma maneira criativa e divertida.

O roteiro, escrito pela dupla Scott Neustadter e Michael H. Weber, é o principal atrativo do filme, trazendo um texto pop e inovador, brincando o tempo todo com a estrutura narrativa, nos levando de um dia para outro através dos quase dois anos de relacionamento entre Tom e Summer - até mesmo a narração é boa. Há alguns momentos marcantes, como a cena de quando todos parabenizam Tom por conseguir dormir com Summer, junto com uma divertida coreografia, com direito de até um pássarinho de desenho animado pousar no seu ombro.

Mas isso só funciona graças a escolha acertadíssima do elenco Se Zooey Deschanel estava um pouco preguiçosa nas produções anteriores, ela finalmente se solta, jogando até um pouco de complexidade em sua Summer. Mas isso não seria nada se a química com Joseph Gordon-Levitt - extremamente carismático no papel - não fosse perfeita. Os dois formam um casal adorável, conquistando o público quase de imediato. Some ainda a direção leve de Marc Webb e uma deliciosa trilha-sonora. O resultado é um dos filmes mais bonitos do ano.

500 Dias Com Ela
(500) Days of Summer, 2009
Direção: Marc Webb. Roteiro Original: Scott Neustadter e Michael H. Weber. Elenco: Joseph Gordon-Levitt, Zooey Deschanel, Geoffrey Arend, Chloe Moretz, Matthew Gray Gubler, Clark Greg, Patricia Belcher, Rachel Boston e Mika Kelly.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

distrito 9



Eu pensei muito antes de falar algo sobre este filme. Não porque ele é ruim, mas eu demorei horas para refletir sobre o que eu tinha assistido, eu esperava muito dele, um erro que eu não costumo cometer - gosto de ir ao cinema sem ter expectativas. Mesmo depois de tantas críticas eufóricas, elogios em toda a parte, quando os créditos finais chegaram eu pensei "sim, é um filme muito bom", logo em seguida, continuei "mas tem alguns elementos que o comprometeram".

São esses elementos que poderiam ter sido evitados, já que Distrito 9 tem uma das ideias mais geniais de ficção-científica dos últimos tempos, como comprova o seu ótimo início. Lá no segundo ato, o tom muda. De mockumentary (os documentários fictícios) voltamos para uma câmera mais convencional, oscilando com câmeras de segurança e de televisão para ajudar o clima de tensão. Nesse vai-e-vem de câmera, o filme perde a sua força. Por exemplo: logo no início, quando tem todo aquele clima documental, com Wikus visitando as casas dos alienígenas, a câmera flagra dentro da casa do alienígena Christopher falando com outro sobre um plano. O documentarista invadiu a casa do alienígena, agora? Claro que isso não é um erro crasso, mas vemos isso acontecer o tempo todo. O tom poderia ter mudado, mas de vez em quando aparece os depoimentos das pessoas do início, quebrando todo um ritmo que ele demora para resgatar.

Nessas oscilações, o filme vai perdendo a força, mas em compensação há uma das melhores cenas de ação já vistas nesses últimos anos, quando o Wikus-robô enfrenta os soldados da MNU, com direito a explosões, tiroteios, braços trucidados e tudo o que Michael Bay sempre coloca em seus filmes, mas a diferença é que em Distito 9 as cenas não são chatas e lentas. Já os efeitos visuais são um show a parte. Eu vou me arriscar a dizer que é um dos melhores desta última década, mas vou afirmar que são os melhores do ano, disparados. Os alienígenas e os humanos vivendo juntos é tão, mas tão real, que nem dá pra perceber que é efeito visual mesmo - também, com Peter Jackson na produção...

No elenco, destaco além dos ótimos depoimentos, Sharlto Copley, o Wikus. Ele não conseguiu ter a minha simpatia logo no início, foi só quando ele teve seu braço transformado que eu realmente comecei a gostar do cara. É um ator muito talentoso, nem parece que este é seu primeiro trabalho. Na seqüência de ação do Wikus-robô, ele alcança o seu potencial dramático de uma maneira orgânca característica que todo ator deveria ter. Fora ele, não há nenhuma outra atuação a ser destacada, todas comuns, sem exageros, apenas fazendo suas partes.

Contando com uma reviravolta muito boa - e até corajosa -, Distrito 9 tem tudo para ser a obra de ficção-científica do ano, além de ser um grande marco no gênero. É um ótimo exemplo também da crítica social que o filme nos remete, com o preconceito entre humanos e alienígenas, de como um trata o outro. Como filme, não é nenhuma obra-prima, mas como experiência cinematográfica, uma das melhores atulamente.


Distrito 9
District 9, 2009
Direção: Neill Blomkamp. Roteiro Original: Neill Blomkamp e Terri Tachell. Elenco: Sharlito Copley, Jason Cope, Nathalie Boltt, Sylvaine Strike, Elizabeth Mkandawie, John Summer, William Allen Young, Greg Melvill-Smith, Nick Blake, Jed Brophy, Louis Minnaar, Vanessa Haywood, Marian Hooman, Vittorio Leonardi, Mandla Gaduka, Johan van Schoor, Stella Steenkamp, Tim Gordon e Hlengiwe Madlala.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

bastardos inglórios


Considerando a filmografia de Tarantino, pra mim apenas Jackie Brown não é lá grande coisa. De resto, o diretor sempre me surpreendeu trazendo obras marcantes e grandes homenagens ao cinema: seja por gângsters desconfiados, um lutador de boxe arriscando a vida por um relógio, uma mulher vingativa vencendo 88 caras com apenas uma espada, um dublê assassino e, agora, um bando de soldados raivosos prontos para matar nazistas. Seja qual for a mais louca história que ele possa criar, sempre são inventivas, com diálogos afiados e atuações marcantes, com cenas espetaculares e criativas. Pois bem, parando de puxar o saco do diretor, o fato é que Bastardos Inglórios é mais uma pérola de Tarantino

Para começar, eu não sei se é o projeto mais comercial dele, mesmo com o nome de Brad Pitt no elenco. Está tudo ali: violência explícita, sangue, muitos diálogos, takes longos, narrativa nãio-linear... Eu achei o trabalho como qualquer outro dele - e eu considero Kill Bill o seu projeto mais comercial, mesmo que seja um "ame ou odeie", como qualquer outro filme do Tarantino. O que fica em Bastardos Inglórios é a ousadia do diretor em tocar na espinha-dorsal do cinema, a 2ª Guerra Mundial. Tratar este tema com a ironia de seus filmes anteriores foi o toque de midas que o mundo precisava. O mundo já está cansado daquelas produções melancólicas e depressivas, em que termos que escolher os lados aos prantos, quem é o mau e quem é o bozinho... Niguém mai aguenta isso!

Em Bastardos Inglórios, Tarantino nos mostra o que sempre desejamos assistir e ninguém faz (por favor, não citem Operação Valquíria) que é matar tudo que é nazista, da maneira que eles fizeram com os judeus. À sangue e frio. É isso o que o espectador quer assistir há anos pra dar um basta nesse assunto, e é isso o que o ex-balconista de video-locadora nos mostra, sem dó nem piedade. Ele tem apenas um lado: o do espectador. E é o que assistimos durante mais de duas horas de projeção: nazistas sendo tratados como judeus, judeus sendo tratados como judeus e judeus sendo tratados como nazistas. Ou seja, todo mundo perde e ganha, mas como qualquer filme, nós escolhemos um lado.

O lado dos Bastardos. Eles são o que todos um dia já desejaram fazer ou pensaram "tinha é que matar esses nazistas tudo" ao assistir um dramalhão de 2ª Guerra Mundial. Pois bem, está feito. Comandados por Brad Pitt em uma atuação divertídissima, os Bastardos formam a sua própria guerra contra o exército de alemães. E eles não perdoam. Desde o assassinato com o bastão até as retiradas dos escalpos nazistas, eles são tão ou mais cruéis que os próprios inimigos, contando também com o talento gráfico do diretor.

Fora Brad Pitt, um que merece destaque é Christopher Waltz, excelente em cada momento. Desde as suas risadas fora de hora até a sua seriedade, o ator compões o coronel como um homem impresvísivel e instável, podendo acertar a sua cabeça com um tiro a qualquer momento da conversa. Diane Krueger foi a que mais me surpreendeu, trazendo uma atuação sólida - além da beleza, claro - mas só aqueles diáloos na taverna quando sua personagem é apresentada já é notável. Outros também merecem destaque, claro: Daniel Brühl, Eli Roth, Melànie Laurent...

A parte técnica é um atrativo à parte, desde a montagem do cienma até a belíssima fotografia - a montagem final, com o cinema e tudo o mais, é uma das melhores do ano. Tarantino recria um espetáculo visual inovador, ao som das melodias de Ennio Morricone, com referências que vão de John Wayne a Os Imperdoáveis. Bastardos Inglórios é uma obra que dificilmente vai sair da minha cabeça. Não importa qual seja o elogio que eu possa dar, é feito por quem ama cinema para quem ama cinema.

Bastardos Inglórios
Inglorious Basterds, 2009
Direção e Roteiro Original: Quentin Tarantino. Elenco: Brad Pitt, Christoph Waltz, Melánie Laurent, Diane Krueger, Eli Roth, Michael Fassbender, Daniel Brühl, Til Schweiger, Gedeon Burkhard, Jacky Ido, B.J. Novak, Omar Doom, August Diehl, Denis Menochet, Sylvester Groth, Martin Wuttke, Mike Myers, Julie Dreyfus, Richard Sammel, Rod Taylor, Léa Seydoux, Tina Rodriguez, Lena Friedrich, Maggie Cheung, Cloris Leachmsn, Samm Levine e voz de Samuel L. Jackson.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

preenchendo buraco



Aquele Querido Mês de Agosto, de Miguel Gomes

Sempre que eu assisto a um filme, a primeira coisa que eu noto, antes de qualquer outro quesito, é o roteiro. Os famosos "filmes inteligentes" não são aqueles em que há alguma reviravolta surpresa ou algo do tipo, mas sim aqueles em que as histórias são mais originais de tudo o que não vimos antes - isso é, sobretudo, o ideal para o bom cinema. Portanto, assistir a Aquele Querido Mês de Agosto, ver o diretor Miguel Gomes brincar com a metalinguagem da maneira com a qual ele fez, não só fez o filme ser considerado um dos melhores deste ano, mas como é o filme mais original e mais genial desta primeira década dos anos 2000. É um filme dentro do filme, uma mistura bem bolada de documentário com a ficção - na primeira parte, conhecemos os habitantes de uma cidadesinha em Portugal; na segunda, uma história com base nos relatos dos habitantes, coletados pelo diretor Miguel Gomes e sua equipe. Embalado por canções muito boas - algumas desnecessárias em determinados momentos, mas é relevante -, Aquele Querido Mês de Agosto deve ser visto e revisto várias vezes, somente para aumentar ainda mais a experiência de assisti-lo.

 
Um Louco Apaixonado, de Robert B. Weide

Pensei logo antes de assistir Um Louco Apaixonado: "deve ser um filme até divertidinho". Este comentário baseava-se na presença de Simon Pegg, um ator que me fez rir em Todo Mundo Quase Morto, Chumbo Grosso e, mais recentemente, em Star Trek. Eu estava enganado. Nem ele consegue salvar este filme de seu roteiro bobo e clichê, contando com uma linda, mas péssima, Megan Fox (se bem que isso não é nenhuma novidade...), uma perdida Kirsten Dunst e um carismático Danny Houston. Tirando isso, situações bobas, piadas sem-graça e personagens totalmente desnecessários, tornam Um Louco Apaixonado em mais uma comédia que deveria ter ficado na gaveta.


Passageiros, de Rodrigo García

O longa dirigido por Rodrigo García - responsável pela excelente série In Treatment - decepcionou em todos os quesitos possíveis. Não sei se foi sua tentativa "Shyalamaniana" de dirigir ou simplesmente por se perder já logo no início, mas quase nada se salva daqui. A tal reviravolta final, que era para nos causar aquele choque e tudo o mais, causa uma leve indiferença, nossas bocas não se mexem, nem nossos olhos, mas nossos pensamentos são praticamente os mesmos: "ainda bem que acabou!".

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

deixa ela entrar


Deixa Ela Entrar é mais um drama sobre vampiros, no momento em que o assunto está cada vez mais crescente em filmes, televisão e livrarias. Apesar de ser mais um entre vários, a produção sueca se destaca dentre as outras por apresentar uma história simplesmente arrebatadora, apresentando um romance que Crepúsculo quis ser e não conseguiu - carismático e corajoso.

A história, à primeira vista, é típica: Oskar é um garoto de 12 anos é perseguido na escola, sendo alvo de piadinhas e risadas, conhece a sua vizinha, Eli, que lhe dá atenção e se apaixona. Tudo muito comum, se Eli não fosse uma vampira e matasse pessoas para se alimentar de sangue, sendo constantemente perseguida pelas pessoas - motivo que a faz mudar de casa quase sempre. Ambos se apaixonam, e ao decorrer do filme, vemos os dois com a isegurança, a emoção e as dúvidas de duas crianças comuns - ou quase comuns.

Os dois garotos, interpretados com força pelos jovens Kåre Hedebrant e Lina Leandersson - respectivamente, Oskar e Eli - por mais deslocados que estejam na sociedade, acabam nos conquistando em cada cena. Sem maquineísmo, o diretor Tomas Alfredson não poupa as crianças, nem pretende conquistar o espectador. Eli é uma pequena assassina, que mata sem pudor as pessoas para se alimentar; enquanto Oskar não hesita em atacar um de seus perseguidores com um bastão, deixando-o surdo de um lado.

Em boa parte do filme vemos Eli com a boca ensanguentada, podemos vê-la se alimentando e a câmera quase sempre estática só ajuda ainda mais a experiência. Tomas Alfredson não quer deixar o longa com um ritmo mais acelerado, a câmera é sempre movimentada com leveza, dando até um certo tom poético a Deixa Ela Entrar. Destaque para o maravilhoso plano-sequencia da pisicina, uma das cenas mais bem realizadas neste ano.

Deixa Ela Entrar é uma grata surpresa, misturando com delicadeza um dos temas mais discutidos hoje em dia. Uma pequena pérola, com seu próprio ritmo, um filme que dá espaço para construir uma relação cuidadosamente, sem pressa. Porque afinal de contas, Deixa Ela Entrar não é apenas um belo exemplar do gênero fantástico, mas uma bela história de amor. São apenas duas crianças descobrindo como é amar pela primeira vez. Puro, ingênuo e feliz.


Deixa Ela Entrar
Låt den rätte komma in, 2008
Direção: Tomas Alfredson. Roteiro Adaptado:
John Ajvide Lindqvist. Elenco: Kåre Hedebrant, Lina Leandersson, Per Hagnar, Henrik Dahl, Karin Bergquist, Peter Carlberg, Ika Nord, Mikael Rahm, Karl-Robert Lindgren, Anders T. Peedu, Pale Olofsson, Cayetano Ruiz, Patrik Rydmark, Johan Sömnes e Mikael Erhardsson.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

che 2: a guerrilha

O que na primeira parte de Che mais me incomodava, as duas narrativas distintas, neste foi corrigido com uma estrutura mais convencional. Com o mesmo tom documental que imperava em O Argentino, Sohderbegh abandona o otimismo da primeira parte, dando espaço para um filme mais agressivo e, ao mesmo tempo, melancólico.

Che 2: A Guerrilha dá um salto temporal de seis anos desde os acontecimentos da primeira parte. Che agora se encontra na Bolívia, liderando outra guerrilha, contando com a ajuda de alguns cubano. O que fica evidente nesta segunda parte é a de como a figura heroíca de Che é descontruída aos poucos, tornando-se um homem até em certo ponto egoísta com suas ideias. E é nesse ponto que Sohderbergh acerta mais do que em O Argentino. Che é um homem egoísta, que só se importa com seus ideais, não hesitante nem em roubar comida de uma pobre velhinha. Claro que também vemos aquele lado mais humano do personagem, como suas consultas médicas locais, e é por isso que Del Toro é tão importante para a cinebiografia.

Ele consegue construir, com cuidado, o seu Che Guevara.A sua visão para o guerrilheiro. Outro que merece destaque é Demián Bichir pela sua construção de Fidel Castro - até mesmo a voz enjoada -, o ator sempre consegue roubar um pouco das poucas cenas em que aparece nas duas partes da cinebiografia. Diferente de Rodrigo Santoro, por exemplo, que foi prejudicado pelo rotiero nas duas partes, como Raúl Castro. Ah sim, Matt Damon faz uma pequena participação como um padre.

No final, o resultado é semelhante a de O Argentino, apenas bom, nada mais. Ainda que não tenha sido uma experiência cinematográfica fascinante, foi ao menos interessante assistir a mais de quatro horas sobre Che Guevara. Pena que não é nada memorável.

Che 2: A Guerrilha
Che: Part Two, 2008
Direção: Steven Sohderbergh. Roteiro Adaptado: Peter Buchman. Elenco: Benício Del Toro, Demián Bichir, Rodrigo Santoro, Santiago Cabrera, Kahlil Mendez, Jorge Perugorria, Norman Santiago, Franka Potente e Cristian Mercado.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

che: o argentino

O projeto de filmar a vida de um dos maiores revolucionários da América Latina tinha tudo para dar certo: o tema é, ao mesmo tempo que didático, interessante, o diretor é o eficiente Steven Sohdeberg, todos os recursos estavam nas mãos dos produtores e o protagonista seria Benício Del Toro, um ator versátil e talentoso. Ao assistir a primeira parte de Che, eu formei várias perguntas para eu mesmo tentar responder: "foi isso?" e "o que deu errado?".

A príncipio, Del Toro está ótimo como Che, sóbrio e dedicado ao papel que lhe foi dado. Mas se vermos agora por um ângulo comparativo, dos últimos cinco vencedores do Oscar, quatro interpretaram alguém que realmente existiu (Jamie Foxx, Phillip Seymour Hoffmann, Forest Whitaker e Sean Penn). Portanto, dado não só apenas ao histórico do Oscar, mas sim de todo o cinema, geralmente os atores que ficam a cargo de interpretar alguém que realmente existiu faz bem feito. Pesquisa, vai atrás, procura as manias, torna-se o mais semelhante possível fisicamente, faz um estudo perfeito. Então não era de se esperar menos de Del Toro, que do início ao fim nos entrega uma excelente performance, mas não se destaca, como por exemplo, Sean Penn fez em Milk ou Jamie Foxx no Ray.

A direção de Steven Soderbergh é eficiente, ainda que não seja ótima e em momento algum se aproxime da excelência. Nota-se que o diretor teve bastante dificuldade em segurar todos os atores, os momentos de ação e tudo o mais. Mas ele também não foi ajudado pelo roteiro. Aquelas cenas, transitando entre o Che virando o guerrilheiro que todos conhecemos e suas entrevistas não parecem combinar. Além de não dar tempo nem de nos importarmos com o restante dos personagens - e sinceramente, eu nem me importei muito com o Che. A impressão que dá é que não sabemos por quem eles estão lutando, parece que não há motivação maior e o espectador também não consegue se motivar nem mesmo se aliar a luta dos guerrilheiros cubanos - sim, obviamente quem tem um conhecimento prévio de História sabe o por quê da luta. Ainda assim, creio que se o roteirista Peter Buchman tivesse optado por algo mais convencional, o resultado pudesse ter saído melhor

Tirando isso, a qualidade técnica é ótima. O som é perfeito, desde sua mixagem até os efeitos cristalinos das armas, aumentando a tensão do filme por si próprio - principalmente nas cenas finais. Mas é uma pena que Soderbergh não tenha feito algo memorável, apesar da boa ideia e de tudo o que tinha na mão.

Che: O Argentino
Che: Part One, 2008
Direção: Steven Sohderbergh. Roteiro Adaptado: Peter Buchman. Elenco: Benício Del Toro, Demián Bichir, Rodrigo Santoro, Santiago Cabrera, Kahlil Mendez, Julia Ormond, Jorge Perugorria e Catalina Sandino Moreno.

sábado, 12 de setembro de 2009

uma prova de amor

Uma Prova de Amor, que chega este fim-de-semana aos cinemas, é um filme difícil. É um daqueles filmes que o espectador é obrigado a tomar um dos lados, ser contra ou não as atitudes daquelas pessoas, entender ou não os motivos de cada um e, principalmente construir sua opinião ao decorrer do longa.

O diretor Nick Cassevetes, vindo do sensível Diário de Uma Paixão e o violento Alpha Dog, o filme narra a história da família Fritzgerald. A caçula da família, Anna, decide lutar na justiça a liberdade de tomar as decisões pelo seu corpo, cansada de sempre doar seus órgãos para a irmã mais velha, Kate, que tem câncer desde pequena. A partir daí, a estrutura do filme segue a ser dividido entre todos os personagens e flashbacks contando o início da doença até o presente momento.

É aí que reside o maior problema no roteiro de Uma Prova de Amor. A estrutura adotada pelos roteiristas Jeremy Leven e Nick Cassavetes quebra um pouco a narrativa do filme, perdendo um pouco o centro da história. Afinal, demoramos em compreender que o que realmente importa é como aquela família se envolve com Kate e o que a doença significou para todos. Então, certamente o uso os constantes flashbacks – que são bastante confusos em determinados momentos – ou a tentativa de colocar certa importância em personagens como o advogado interpretado por Alec Baldwin ou a juíza de Joan Cusack me parece uma espécie de fuga ao tema do próprio roteiro. Sem mencionar aquelas narrações em off em que todos os personagens participam – inclusive o advogado – sendo que poderia ter sido simplesmente substituído apenas pelo de Anna.

Mas é de se admirar a luta da pequena Anna, principalmente após sabermos os seus motivos – claro que eu não vou contar, afinal é a grande sacada do longa – e os temas apresentados são bastante interessantes. Ao final, não é fácil não se deixar tocado por uma cena em especial – e esta envolve Cameron Diaz, que praticamente move todo o elenco. Uma Prova de Amor é um filme com falhas bem visíveis, mas não deixa de ser um interessante estudo sobre uma família. Simples, falha, sentimental, desunida, mas uma família, acima de tudo.

Uma Prova de Amor
My Sister's Keeper, 2009
Direção: Nick Cassavetes. Roteiro Adaptado: Jeremy Leven e Nick Cassavetes. Elenco:
Cameron Diaz, Abigail Breslin, Sofia Vassilieva, Heather Wahlquist, Jason Patric, Evan Ellingson, Alec Baldwin, Jeffrey Markle, Emily Deschanel e Joan Cusack.

Este texto também foi publicado no site Funtástico: http://www.funtastico.com.br. Vale a pena visitar. E agora também dá pra acompanhar meus textos no Conquistadores: http://www.conquistadoresde.info. No último, além de falar sobre cinema, atacarei as séries também. Visitem, são dois sites que valem a pena dar um clique.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

up - altas aventuras

Quando Up estreou nos Estados Unidos, foi um sucesso enorme de crítica e público, todos estavam gostando e havia muita pouca crítica negativa para o filme. A Disney do Brasil resolveu adiar o lançamento para setembro, o que criou ao mesmo tempo em que uma enorme expectativa, uma dose de ansiedade. Finalmente, ontem eu coloquei meus óculos em 3D, sentei na poltrona e matei a minha vontade que vinha me incomodar a meses e meses. Não, ele não é tao genial quanto Wall-E nem tão brilhante quanto Ratatouille, mas é um dos filmes mais emocionantes que a Pixar já fez.

A seqüência inicial, ao som da bela trilha de Michael Giacchino, é a mais sensível dos filmes do estúdio. É impossível não deixar escorrer nem ao menos uma lágrima ousegurar a vontade, que resulta de um trabalho de produção impecável, transformando a experiência ainda mais tocante ao decorrer do longa. Além do mais, é um filme audacioso, pois ele trabalha com superação da morte e a própria morte, sendo temas não muito comuns em longas de animação - mas estamos falando de Pixar, certo?

Por outro lado, o longa perde um pouco sua força ao entrar os novos personagens; não que estes sejam ruins, mas o fato do vilão ser o herói do protagonista quando este tinha na casa dos 8 anos é forçado demais, aliás todo o por quê que ele faz isso também não soa bem. Claro que isso não atrapalha muito, afinal ainda tem o cachorro Dug e a Kevin, que são dois bons personagens, principalmente trabalhados junto de Russel.

E Peter Docter, que tinha feito um excelente trabalho em Monstros S.A., aqui falta um pouco da estética para compor Up. Ora, se eles vão ao tal paraíso das cachoeiras, o lugar acaba não correspondendo a todas as nossas expectativas ao nos apresentar algo rochoso, sem graça - claro que na selva lá embaixo, até tem uma compensação, mas não muita. Mas Docter tem seu toque de gênio ao utilizar o 3D de forma sutil, mas bastante eficiente. Enquanto isso, a trilha sonora de Michael Giacchino se revela mais do que apropriada, não só sendo a melhor do ano até agora, quanto consegue ajudar e muito o filme a ir pra frente.

Resumindo Up: ele perde um pouco ao decorrer do filme, mas ganha não só pela criatividade e os carismáticos personagens, mas também pelos momentos marcantes de mais um ótimo filme da Pixar. Espero que o estúdio não perca nunca essa genialidade, que é tão rara nos dias de hoje.

Up - Altas Aventuras
Up, 2009
Direção: Peter Docter. Roteiro Original: Bob Peterson. Vozes de: Edward Asner, Christopher Plummer, Jordan Nagai, Bob Peterson, Delroy Lindo, Jerome Ranft, John Ratzemberger, Mickie McGowan, Danny Mann, Josh Cooley, Ellie Docter e Jeremy Leary. Voz na versão nacional de: Chico Anysio.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

brüno

A graça que residia em Borat era mais pela performance do ator Sacha Baron Cohen do que qualquer outro elemento do filme, mas ainda assim o roteiro conseguia tirar algumas espertas situações para o protagonista - como a cena do odeio, por exemplo. Portanto, é uma pena constar que neste novo exemplar, Brüno, não há praticamente nada no roteiro que atraia uma ou outra situação boa, e o único trunfo mesmo da produção é o ator Sacha Baron Cohen.

E enquanto o longa se segura na performance de Cohen, a tentativa de copiar Borat fica cada minuto mais evidente - as tramas, para começar, são irmãs-gêmeas. E nessa tentativa frustrada e as semelhanças com o outro longa do ator, as situações ficaram cada vez mais difíceis de acontecer, agora que todos já conhecem os personagens famosos de Chen. Por isso, é difícil engolir a forçada aparição de Paula Abdul, além de outras situações que não sabemos se é armação ou não.

Já que o formato perdeu a graça, o roteiro copia a trama de Borat, a performance de Cohen compensa uma hora e dezessete mninutos da projeção - parte disso se encontra na canção ao final do filme, com astros como Snoop Dogg (eu falei astro?), Elton John e Bono. O ator ainda está ótimo, e sua concentração nas cenas em que Brüno aparece realmente é admirável, mesmo que o seu personagem seja desprezível.

Sem nada de novo e com muitas situações completamente sem-graça, o maior erro de Brüno foi de tentar repetir o sucesso de Borat. Se a produção tivesse feita da maneira mais comum, e não um documentário ficcional, poderia render algo. Potencial o personagem até tem. Esse filme, nem tanto.

Brüno
2009
Direção: Larry Charles. Roteiro Adaptado: Anthony Hines, Sacha Baron Cohen, Dan Mazer e Jeff Schaffer. Elenco: Sacha Baron Cohen, Gustaf Hammarsten, Clifford Bañagale, Chibundu Orukwowu, Chigozie Orukwowu, Josh Meyers, Bono, Chris Martin, John, Slash, Snoop Dogg, Sting e Paula Abdul.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

ponto de partida: tom cruise

Mais uma sessão que pretendo atualizar, sobre um dos primeiros filmes de algum ator, alguma atriz, um diretor, um roteirista ou alguém ligado ao cinema. A escolha para a estreia é um pouco improvável: Tom Cruise. Justamente por eu ter visto pela primeira vez o filme que o destacou como protagonista, o ótimo Negócio Arriscado. A seguir uma pequena análise sobre o longa.

Negócio Arriscado é um típico filme dos anos 80. Ágil, com uma ótima trilha-sonora e um roteiro que nos convence não só pela trama bem feitinha, mas também pela simpatia dos personagens, ele é tudo o que os filmes de comédia de hoje jamais conseguiriam ser. A julgar pela trama: jovem de classe média alta, preocupado com o seu futuro, aproveita a viagem de seus pais para contratar uma prostituta em sua casa, até que ela lhe propõe um negócio arriscado (essa minha sinopse parece aquelas de jornais, para saber em qual cinema está passando tal filme).

O tal jovem da sinopse é interpretado pelo então iniciante no cinema Tom Cruise. E ele mostra um bom potencial, sem medo algum de levar o filme em suas costas e mostrando-se até mesmo com um bom timing cômico. Mas ele conta com uma pequena ajuda do elenco. Seu par romântico é interpretado por Rebecca De Mornay (ou a babá do A Mão Que Balança o Berço), também iniciante no cinema. De Mornay pode não ser uma ótima atriz, mas cumpre bem o seu papel em Negócio Arriscado - apesar de em alguns certos momentos ela mostrar uma certa preguiça ao atuar.

O elenco secundário é outro grande acerto: Joe Pantoliano, Bronson Pinchot, Curtis Armstrong e Shera Danese provocam algumas risadas, e são simpáticos o longa inteiro. Mas o mérito também vai para o roteirista e diretor Paul Brickman, que conduz tudo com muita segurança, segurando as pontas do filme, sem apelar e não deixando nada escapar de suas mãos - e destaque também para a cena envolvendo Cruise e De Mornay ao som de In The Air Tonight. No final, o que conta é que Negócio Arriscado é um ótimo filme, divertido e muito bem escrito.

Negócio Arriscado
Risky Business, 1983
Direção e Roteiro Original: Paul Brickman. Elenco: Tom Cruise, Rebecca De Mornay, Joe Pantoliano, Bronson Pinchot, Curtis Armstrong, Shera Danese, Richard Masur, Nicholas Prayor, Janet Carroll, Raphael Sbarge, Bruce A. Young, Kevin Anderson, Sarah Patridge e Scott Harlan.

domingo, 30 de agosto de 2009

amantes

O cinema de James Gray fica cada vez mais interessante a cada filme. Seu último longa, Os Donos da Noite, é um dos melhores filmes policiais dos últims anos, conseguindo fazer uma releitura interessante daqueles policiais das décadas de 70 e 80. Naquele projeto, o diretor reuniu um elenco bastante versátil, mas a melhor atuação era, de longe, do ator Joaquin Phoenix. E, curiosamente, também é o maior trunfo deste Amantes. Terceiro longa em que o diretor e o ator fazem parceria - o primeiro longa foi em 2000, com Caminho Sem Volta-, Amantes é composto por imagens bonitas, com uma fotografia marcante, mas o filme é, principalmente, muito forte.

O roteiro consegue criar situações que, quando poderiam tornar-se as mais clichês possíveis, logo encontra uma maneira de contornar tudo e nos aproximar cada vez mais dos personagens, principalmente do protagonista, Leonard. Com uma performance invejável, Joaquin Phoenix faz um excelente trabalho ao construir seu personagem, respeitando seu histórico e aproximando o espectador cada vez mais de seu Leonard. Mas Amantes tem algo disso. Nos aproximamos do filme, lidamos com todos os nossos medos, nossas inseguranças no que diz respeito a relações e ao autodescobrimento.

Amantes é sólido, um estudo de personagem devastador. James Gray constrói um filme grande, que melhora em a cada imagem na tela. O diretor mostra cada vez mais o por quê dos seus trabalhos sempre despertarem algum tipo de curiosidade, há sempre algo novo por trás, e se não estiver, basta olhar por trás das entrelinhas. Tente fazer isso com Amantes, talvez você descubra algo.

Amantes
Two Lovers, 2008
Direção: James Gray. Roteiro Original: Ric Menello e James Gray. Elenco: Joaquin Phoenix, Gwineth Paltrow, Vinessa Shaw, Moni Moshonov, Isabella Rossellini, John Ortiz, Bob Ari, Julie Budd, Elias Koteas e Shiran Nicholson.