O Nome da Rosa
Em determinado momento do filme, Sean Connery explica que uma vez discordou de um julgamento da Santa Inquisição e foi condenado a passar em uma prisão, acusado de ser herege. Além de ser uma revelação chocante da mentalidade da época, revela o poder que a Igreja Católica possuía e as atitudes desumanas que a Instituição cometia, a fim de expandir o seu reinado e lucrar. Além de ser parte do desenvolvimento do personagem de Connery, é um fato que os livros de história não têm como negar. E é corajosa a idéia de fazer um filme que mostra uma Igreja Católica como ela realmente era mostrando os bastidores de um monastério e as atitudes políticas e nada religiosas dos padres.
Porém, mesmo com os méritos citados, o filme possui seus contras. Os personagens são mal desenvolvidos, principalmente os padres do monastério, abrindo espaço apenas para o franciscano William de Baskerville (Connery) e o seu noviço, interpretado por um inexpressivo Christian Slater. Slater, diga-se de passagem, mostra uma tenebrosa atuação na produção. Além de não mostrar expressividade alguma em nenhuma das cenas, ainda deixou-se estar intimidado pelo companheiro de cena, o veterano Sean Connery – perfeito para o papel. A participação de F. Murray Abraham é sempre bem-vinda, mesmo agindo de forma caricata como uma espécie de vilão no filme.
Mesmo com aos problemas, o filme é bom. Merece ser visto e tem um ótimo valor histórico, e a coragem com que ele abrange os problemas da época é incentivadora.
Der Name Der Rose, Alemanha, 1986, dir.: Jean-Jacques Annaud. Com: Sean Connery, Christian Slater e F. Murray Abraham.
Senhores do CrimeO cinema de Cronenberb é sempre interessante. Depois do seu último longa-metragem, o ótimo
Marcas da Violência, retoma uma parceria que rendeu bons frutos com o ator Viggo Mortensen. E mais que interessante este novo filme é instigante. Violento, emocionante, instigante e envolvente, a produção é séria, o elenco está afinado e a direção mais uma vez é merecedora de atenção. A cena de abertura já é mais chocante do que todos o

s filmes da série
Jogos Mortais, e com outras cenas que deixam Jigsaw no chinelo. Cronenberg sempre foi detalhista em cenas sangrentas, e aqui ele não abandona a sua característica, e mais do que isso, torna as mortes partes de todo o arco. Nenhuma das mortes é inútil, e Cronenberg controla bem para não matar personagens sem finalidade narrativa – óbvio que o roteirista Steven Knight merece créditos e aplausos pela história. As cenas de ação não são tiroteios como estamos acostumados a ver, e arrisco a dizer que não presenciamos uma única arma de fogo em toda a projeção – se a memória não falhe. Só este fato já é fascinante o suficiente para assistir, já que é difícil fazer um filme sem um tiro, sem uma pistolinha, e que seja um filme de gângster. Neste caso, a narrativa centraliza a máfia russa em Londres. Viggo Mortensen é a escolha perfeita para protagonista. Contido, sério e sabendo o que faz, Nikolai é um homem misterioso, mas amplamente fascinante por ser completamente imprevisível e também por não sabermos nada de seu passado. Se eu fosse compara-lo, seria o Donos da Noite do ano.
Eastern Promises, EUA/ Canadá/ Inglaterra, 2007, dir.: David Cronenberg.. Com: Naomi Watts, Viggo Mortensen,e Vicent Cassel.
Speed Racer
Um filme bem injustiçado pela crítica. A nova empreitada dos irmãos Wachowski nada tem de ruim, muito pelo contrário, é um filme bem bom. Tem alguns exageros nas cores e texturas, mas o resultado é bom. Algo que me incomodou bastante foi todo o clímax do filme ter se concentrado na corrida de Casa Cristo, deixando a corrida final a desejar, já que não tinha mais absolutamente nada para Speed temer, pois o que ele enfrentou antes já valeu por todos os adversários. No mais, a corrida final só serviu para vangloriar Speed. O elenco é acertado. John Goodman é a melhor escolha para viver Pops, e ele parece ter se divertido no papel; Emile Hirsch é Speed Racer; Susan Sarandon é sempre competente, e aqui possui a dinâmica perfeita; Christinna Ricci tem todo o jeito anime requerido no filme; Matthew Fox de nada lembra o Jack de
Lost e aqui encara o Corredor X de maneira minuciosa e bastante misteriosa, faltou ser mais desenvolvido pelo roteiro; porém é em Paulie Litt que o filme acerta mais. O garoto interpreta com um timing cômico invejável o Gorducho, que consegue criar uma química com um chimpanzé. E isso é admirável. O único problema foi o fato de ter pouco tempo para desenvolver todos os personagens secundários, e alguns ficaram prejudicados, como o próprio Corredor X e o ajudante de Speed, Sparky (Kick Gurry). Porém, é sempre legal ver o estilo anime utilizado, com uma montagem diferenciada de todas as produções, original, inteligente e corajosa. Ah sim, os primeiros vinte minutos do filme são muito, mas muito bons. Vale a pena conferir pela inovação na linguagem narrativa e visual.
EUA, 2008, dir.: Andy Wachowski e Larry Wachowski. Com: Emile Hirsch, John Goodman, Susan Sarandon, Christina Ricci, Matthew Fox, Paulie Litt, Kick Gurry e Roger Allam.