Se por um lado a inteligência de Lost e a habilidade da direção de Missão: Impossível 3 ainda contem pontos a favor, a artificialidade do péssimo roteiro de Armageddon é constrangedora. Por que confiar uma missão para J. J. Abrams? O que ele tem de diferente do que outro profissional ligado ao cinema - todos têm uma carreira com pontos baixos e altos. O que difere ele de qualquer outra pessoa? Nada. Porém, J. J Abrams é J. J. Abrams, isso já basta.
Primeiro, Abrams teve que reconhecer que não dá para fazer um Jornada nas Estrelas de antigamente, ele tem que inovar, fazer uma mudança radical em tudo. Porém, sem esquecer da mitologia da série, e conseguiu. Ele conseguiu filmar uma produção não só para os fãs, mas para qualquer leigo que, assim como eu, jamais havia visto um episódio da série antes de ir ao cinema.
E nunca eu fiquei com tanta vontade de assistir a uma série antiga como estou agora, e isso não se deve apenas a Abrams, mas como o maravilhoso elenco exibir um carisma invejáve, encarnando seus personagens com tanta irreverência que a curiosidade para ver se eles foram ou não fieis a composição é invevitável. Chris Pine e Zachary Quinto atuam em cada cena como se tivessem nascido para interpretar Kirk e Spock. Ainda sobra para o elenco secundário dar um show à parte: Karl Urban jamais esteve tão dedicado a um papel; Simon Pegg é, sem dúvidas, um dos mais talentosos comediantes que a Inglaterra exportou; Zoe Saldana está linda como Uhura; John Cho entrega Sulu um dos caras mais legais de Star Trek; e, por fim, Anton Yelch diverte como Pavel Chevok.
No entanto, os fãs vão poder sentir nostalgia ao encontrar Leonard Nimoy como o Spock do futuro. E é nessa maravilhosa ponta do ator que podemos sentir o coração e a alma do longa de Abrams. Não é um recomeço da série, apesar de mostrar todos os principais personagens no início da jornada e de como se conheceram; e também não é um filme repleto de nostalgia - aliás, o que Abrams fez de melhor foi evitar referências atrás de referências. É um projeto do diretor, uma homenagem dele mesmo ao que representou Star Trek em suas décadas douradas. De fã para fã. De leigo para leigo. Star Trek é mais uma fantástica produção que eu tive a oportunidade de assistir no cinema.
Nada de Império contra República. Ou até mesmo de balas com curvas. Nem mesmo de super-heróis. É a tripulação da Enterprise e eles estão vindo, mais rápido do que nunca. Quem diria que eu finalmente me arriscaria a ver Jornada nas Estrelas, depois de tantos anos evitando-a? Talvez a intenção do longa de Abrams seja exatamente essa: inspirar as pessoas. Nada de violência a cada cinco minutos, naves explodindo a cada dez, é simplesmente trabalhar direitinho uma história e construindo personagens. J. J. conseguiu de novo.
P.S.: Detalhe para a fabulosa direção de arte, oe empolgantes efeitos visuais e a ótima - como de praxe - trilha-sonora de Michael Giacchino.